quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

janeiro 21, 2026

 


O sentido imperialista de Trump


O aspirante a ditador fascista, Donald Trump, será o mitológico Anticristo? Pois, tudo de mal que ocorre no mundo hoje parece ter sua sombra. Do genocídio do povo palestino à disputa da Groelândia com o imperialismo europeu, do sequestro do presidente venezuelano Maduro às provocações terroristas contra o Irã, de golpes de Estado ao incentivo a movimentos de extrema direita em diversos países.

Qual o sentido disso?

Se olharmos mais de perto, veremos a decadência do capitalismo em sua forma mais grotesca, o sistema imperialista mundial e seu núcleo: os Estados Unidos da América (EUA).

A atual ordem mundial, nascida em 1945 de acordo com os interesses do imperialismo estadunidense está em crise.  As grandes corporações americanas que sustentam Trump sabem disso. Como o imperialismo alemão fez com Hitler, os apoiadores de Trump precisam recorrer ao fascismo, ao militarismo e ao que resta do poderio econômico dos EUA para estabelecer uma "nova ordem mundial" pela força.

Por isso, a ofensiva recolonizadora contra a América Latina por meio de governos de extrema direita, de golpes e ameaças. No mesmo sentido, os ataques diretos e indiretos à China e à Rússia. Além do cerco ao Irã.  Noutras palavras, nada de defesa da democracia ou combate ao terrorismo internacional. Só os velhos interesses da plutocracia estadunidense e de seus negócios no ambiente de restrição de mercados, de bolhas financeiras e de concorrentes com maior produtividade de trabalho. Só para lembrar, a República Popular da China, controladora cada vez maior de cadeias de fornecimento global, consolida-se como parceira comercial em mais de cem países, acumulando um superávit recorde e representando aproximadamente 27% da produção industrial mundial. Além da derrota da guerra por encomenda da OTAN/Ucrânia contra a Rússia.

Nesse quadro, as apostas devem ser mais altas. Não bastam apenas trabalhadores, povos oprimidos e países periféricos saírem perdendo. Alguns aliados precisam pagar a conta pela sobrevivência das classes dominantes dos EUA. Daí as medidas desesperadas da guerra comercial de Trump pelo mundo afora para tentar recompor a base industrial. E, é óbvio a tentativa de anexar a Groelândia, controlada pelo imperialismo dinamarquês. Uma ilha estratégica frente ao crescente derretimento das geleiras, onde reside adormecidos importantes minérios e fontes de energia. Além do mais, com o aquecimento planetário novas rotas comerciais via Ártico serão abertas, encurtando viagens dos EUA para mercados asiáticos. Um presente para as corporações estadunidenses e uma derrota econômica para o imperialismo europeu.

Frederico Costa, professor da UECE

domingo, 11 de janeiro de 2026

janeiro 11, 2026


Há 136 anos, nascia Oswald de Andrade.


Provavelmente o mais radical dos poetas e prosadores brasileiros. Sua obra dá um cavalo de pau ali onde a Semana e Mário de Andrade pretenderam  uma curva significativa, mas menos acidentada. Em Oswald o modernismo consistia justamente no "acidentado".


A partir de 1927/28, Oswald de Andrade encarna uma espécie de guardião dos aspectos mais rupturistas da Semana de 22, como uma espécie de Oposição de Esqueda do Modernismo. 


Seu Manifesto Antropofágico segue sendo um dos textos mais atuais de nossa literatura, afirmado pela positiva, mas sobretudo pela negativa, ao longo do século XX, e sua literatura segue sendo um nãod peremptório diante da mediocridade.


Neste caso, não tem nada de metafórico dizer: Oswald de Andrade Vive! 


Eudes Baima, professor da UECE

sábado, 10 de janeiro de 2026

janeiro 10, 2026

Acordo Mercosul–UE deve ser assinado dia 20. Centrais reivindicam espaços  de diálogo - CUT - Central Única dos Trabalhadores

DEVEMOS CELEBRAR O ACORDO MERCOSUL-UE?

Primeiro é bom lembrar que os termos do acordo que a cúpula da União Europeia (UE) aprovou hoje foram fechados com Bolsonaro e o antigo primeiro ministro francês, Macri, em 2019. O acordo começou a ser negociado em 1999 pelo entreguista FHC.

Por estes termos, a União Europeia impõe os interes­ses de suas grandes empresas nas nego­ciações, fazendo os países do Mercosul derrubarem suas tarifas de importação aos produtos industrializados e ser­viços – aqueles que embutem mais sofisticação tecnológica, como teleco­municações, serviços financeiros, de transporte-navegação de cabotagem, serviços ambientais e de consultoria etc. Em troca, os países europeus se comprometeram a reduzir (ainda não se sabe quanto) tarifas para produtos agrícolas.

Segue o esquema que impõe aos países sul-americanos a condição de exportadores de commodities. No Brasil e Argentina, países que ainda têm uma indústria de tamanho razoável isso terá impacto desastroso para o sistema produtivo, sobretudo de certos ramos estratégicos como tec­nologia, sistemas marítimos e fluviais, obras públicas, compras do Estado, laboratórios medicinais, indústria automotiva e economias regionais.

No Brasil e Argentina, países que ainda têm uma indústria de tamanho razoável isso terá impacto desastroso para o sistema produtivo, sobretudo de certos ramos estratégicos como tec­nologia, sistemas marítimos e fluviais, obras públicas, compras do Estado, laboratórios medicinais, indústria automotiva e economias regionais.

Na época do fechamento destes termos, o movimento sindical e popular denunciou o acordo que segundo a Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul, ressaltando ele pode ser uma sentença de morte para as indústrias da região e, consequente­mente, para a classe trabalhadora.

O que mudou de 2019 pra cá?

Eudes Baima, professor da UECE

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

janeiro 01, 2026


 MAIS HAITIS, MAIS CUBAS!


Amanhecemos em um novo ano: 2026. Feriado, Dia Mundial da Paz e, também, Dia da Fraternidade Universal, mesmo com mais de quarenta conflitos armados ao redor do mundo. Com genocídios, guerras por procuração, ameaças de invasão a países soberanos e golpes de Estado. Além disso, os males comuns do cotidiano como miséria, precarização, muita exploração, racismo, machismo, feminicídios, ecocídios e um onda de bestialização das massas.


E tudo isso para manter a produção e reprodução de um sistema econômico que gera mais e mais desigualdade social: o capitalismo. O World Inequality Report lançado recentemente mostra que a desigualdade global atinge níveis insustentáveis.


No Brasil, 2026 promete ser um combate permanente contra as forças da opressão, reação e obscurantismo. 


Até parece que só resta o pessimismo. Mas, há esperança anunciada pela história. Os explorados e oprimidos podem se organizar, resistir, lutar... vencer!


Em primeiro de janeiro comemoramos a Revolução Haitiana (1804) e a Revolução Cubana (1959).


Há 222 anos trabalhadores e trabalhadoras escravizados derrotaram militarmente na colônia de Saint-Domingue poderosos impérios coloniais, França e Inglaterra. Mas, não só isso, o povo haitiano aboliu a escravidão: o processo de independência mais radical da América. 


Há 67 anos, por meio de uma combinação de insurreição e luta armada, as massas cubanas derrubaram o ditador Fulgencio Batista, abrindo caminho para a construção do primeiro Estado operário no continente americano. Cuba resiste ao imperialismo estadunidense, apontando para o horizonte socialista.


2026, no Brasil, será um ano de muitas batalhas. As classes dominantes e a extrema direita nunca desistirão na defesa de seus privilégios e pautas antipopulares. Precisam ser derrotados. 


Nas adversidades, no cansaço, nas pequenas derrotas, nunca esqueçamos: olhemos para os exemplos históricos dos povos do Haiti e de Cuba. Podemos vencer!


Hoje é um dia de esperança revolucionária e de confiança na humanidade contra a barbárie capitalista.


Feliz 2026 de muitas lutas e vitórias! Por mais Haitis, por mais Cubas!


Frederico Costa, professor da UECE

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

dezembro 12, 2025



COMPLEXO DE PETER PAN E FUTEBOL 


[Há 3 anos eu escrevi este texto, depois da derrota dos meninos do Brasil para os idosos fumantes da Croácia. Ainda gosto bastante dele e ele me parece bem atual]


Tem um "debate" sobre o foco  nos cabelos (aliás, cortes horrorosos) e ensaio pras dancinhas dos jogadores da Seleção Brasileira. Uma conversa superficial, muitas vezes moralista, que nem arranha o problema de fundo que estes itens revelam.


Nem é tão de fundo assim o  fato de que o foco nos cortes e nas coreografias indicam a soberba, a arrogância de quem quer estar bem na foto depois da vitória, considerada certa, antes mesmo do jogo jogado.


Mas tem algo mais aí (aliás,  muito mais, sobre o que eu não tenho qualificação pra falar): quando eu era criança, copas de 70 e 74, ou adolescente, 78, ou muito jovem, 82, os jogadores pareciam muito mais velhos, homens feitos, adultos. Claro que pesava o fato deles serem realmente mais velhos do que eu, mas o ponto principal não é o cronológico.


Referiam-se aos craques de antanho com tratamentos adultos, professorais, destinados a sábios em suas áreas de atuação. Ninguém era chamado de "garoto", "menino", embora fossem jovens. Quem chamaria Clodoaldo de garoto em 70, embora ele tivesse meros 25 anos? Como atribuir tratamentos juvenis à Enciclopédia Nilton Santos ou ao Mestre Ziza, embora fossem jovens  atletas? Eram formas de tratamento que supunham homens adultos, experientes, conhecedores de seus ofícios, ainda que tão somente rapazes que jogavam bola.


A voragem da máquina mercante exige juventude, uma juventude eterna. Quantas vezes vimos narradores nesta copa chamar homens de 24, 25 anos de garotos, meninos, moleques (parece que ficou meio ridículo continuar a usar "menino Ney"), como se fosse um pressuposto de excelência dos jogadores? Até o rodadíssimo Casimiro foi chamado de garoto por Galvão Bueno no jogo contra o amador time da Coreia.


Um aspecto deste fenômeno de peterpanrização dos jogadores brasileiros é que de fato eles foram poupados das etapas de amadurecimento. Arrancados do Brasil com 12, 13 anos de idade, formados e iniciados no jogo em equipes milionárias, onde em geral não ocupam postos de grande responsabilidade nas partidas, eles não engrossaram o couro, não passaram pelos perrengues dos campos do interior, pelas durezas, mas também pelas alegrias dos campeonatos de divisões inferiores, nunca tiveram de dar satisfação a torcidas apaixonadas, posto que não têm afinidade afetiva com os adeptos das empresas mafiosas em que jogam. Por isso não aprenderam a segurar um placar a menos de 3 minutos do fim do jogo, professam uma ética abstrata que os impede de travar a continuidade do jogo e fazer uma mera falta para parar o contragolpe adversário por medo de tomar um cartão e não jogar a próxima partida e  perder os eventuais holofotes da glória. Enfim, o egoísmo autocentrado, neste caso, é também pueril. Ao menos uma temporada na série B brasileira, nas fases iniciais da Copa do Brasil, uns jogos contra o Iguatu pelo Cearense no Morenão, me parecem etapas necessárias à formação destes rapazes que ficaram apavorados e sem ação em face da raça, da transpiração e, pasmem, da malandragem croata. 


Dançar, inventar moda para comemorar gol (Jairzinho consagrou em 70 o se ajoelhar e se benzer, imitando de Petras, atacante da Tchecoslováquia, e Bebeto inaugurou a comemoração embalando bebê, em 94, por exemplo) é de nosso espírito, mas não me lembro dos craques dos antigos escretes anunciando novas danças ou gastando o precioso tempo de preparação em ensaios de coreografia. Nossa propensão ao requebro em momentos de comemoração sempre foi espontânea. A arrogância estimulada por narradores, patrocinadores e jornalistas, leva a colocar o centro das preocupações em outro lugar, não no jogo. Aqui já estamos no terreno da publicidade, do espetáculo televisivo, das exigências dos anunciantes, aliado a um patológico autocentrismo.


Como se sabe, e a psicologia de boteco atesta, a atitude autocentrada, egoísta é uma característica da fase infantil, e que, se não corrigida pela terapia administrada usualmente pela mãe, gera pessoas horríveis. O tempo gasto, em plena concentração numa copa do mundo (um troço decidido em, no máximo, 7 jogos), com ensaios coreográficos e idas ao cabeleireiro é um traço de egoísmo nitidamente infantil, de atletas muito mal formados e que não têm a menor ideia do que uma Copa do Mundo representa para uma nacionalidade em cuja formação o futebol desempenhou um papel cultural fundamental (não vou entrar no mérito sobre se isso foi bom ou ruim...).


 Vindos das favelas e rincões, mas extraídos de lá na mais tenra idade (sempre quis escrever "na mais tenra idade"), estes jovens perderam o contato com o povo brasileiro e com seus sentimentos, povo que, para eles, é apenas o beneficiário de suas fundações caritativas que lhes custam fração ínfima de seus astronômicos salários e que, claro, lhes rendem ampla publicidade gratuita (...ou não).


Coreografias ensaiadas, cortes de cabelo para cada jogo, em si mesmos irrelevantes para explicar o desempenho esportivo, são contudo boas pistas para entender a incapacidade de nossos rapazes de responderem como adultos aos desafios do jogo. É tudo  extremo: ou a empáfia dos cabelinhos e dancinhas preparados com esmero para comemorar vitórias que ainda não ocorreram, ou os choros convulsivos diante da derrota, cujo símbolo notório é o menino Thiago Silva (37 anos). Nos dois extremos a infantilidade, o garotismo eterno, no qual ninguém, absolutamente ninguém tem condições de assumir as responsabilidades necessárias em jogos decisivos.


Está aí a irresponsabilidade de Tite que abandonou seu posto na hora de indicar os batedores dos pênaltis e a caganeira de Neymar que não teve peito de abrir as cobranças. 


Onde só há meninos, garotos, moleques, ainda mais mal criados, ninguém assume as responsabilidades da vida adulta.


Quem se lembra de Pelé, Vavá, Zico, Romário se escondendo atrás de chororô, como se não fossem responsáveis pelos resultados, mas crianças que precisam ser amparadas? Mesmo na tragédia do Sarriá, a torcida ficou traumatizada, mas eu não lembro de nenhum daqueles homens que fracassaram diante da Itália  choramingando em busca de quem os confortasse. Muito menos apelando à piedade pública diante das câmeras.


Sem qualquer conotação machista, o que esses rapazes precisam é de alguém que lhes diga: sejam homens!


Eudes Baima, professor da UECE